sexta-feira, 26 de novembro de 2010

NEVE E LIVROS

Nem uma coisa nem outra. Acabei embalando na leitura de revistas e mais revistas, e deixei Saramago e Rachel de Queiroz para depois. Aproveitei também para terminar de ler “Neve”, de Orhan Pamuk  (Companhia das Letras, 2006, 488 páginas). A história de Ka, poeta exilado na Alemanha, que viaja a uma pequena cidade turca sob o pretexto de investigar a onda de suicídios entre jovens muçulmanas que assola o vilarejo, um microcosmo dos conflitos raciais, políticos e étnicos da Turquia, além de palco da sua tragédia pessoal. Bom. Mas bom mesmo está sendo ter uma semana inteirinha de livros no Espaço Cultural, aqui em João Pessoa. Espero que este 1º Salão Internacional do Livro da Paraíba seja o primeiro de muitos. Que a cultura ocupe cada vez mais aquele espaço, muitas vezes palco de feiras de carros e bugigangas. Que o 2º Salão  venha cada vez melhor, de preferência com mais divulgação.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ESTOU LENDO...


Terminando de ler CHICO BUARQUE, de Wagner Homem (Leya, 2009, 352 páginas), curador do site oficial do cantor. Impressionante a musicalidade das letras de Chico, elas “cantam” mesmo no papel. Confesso, mesmo sendo muito fã, nunca tinha percebido esse fenômeno. O livro traz histórias, sempre contextualizadas, relacionadas às circunstâncias em que foram compostas as canções. Narrativas por vezes engraçadas, tristes, reveladoras ou simplesmente curiosas. Um deleite. Agora é partir para a pilha de livros que me assombra e espera. Acho que vou deixar Saramago furar a fila. Recebi estes dias pelo correio uma de suas biografias, escrita por João Marques Lopes. Difícil vai ser resistir a outro bom livro de memórias, desta vez narrada pela escritora Rachel de Queiroz e sua irmã Maria Luíza de Queiroz. Bom, acho que fico com os dois.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pós Férias


Pausa. Férias. Bom demais diminuir o ritmo, limpar a mente, abandonar a agenda. Quase tinha esquecido a existência de um mundo além da correria do dia-a-dia. Bom demais rever lugares da infância. Mesmo sentindo-se estranha ao não se ver tão “em casa” nestes lugares. Bom estar em companhia de quem se ama. Pena perder alguém tão querido logo na volta. Dizem que “é a vida”, e foi desta janela que ela começou a se configurar para mim. Descobri que quando se está bem com suas lembranças, sempre se está “em casa”.

domingo, 5 de setembro de 2010

AGOSTO DAS LETRAS

Agosto, mês da Letras. Assim foi em João Pessoa (PB) graças a evento realizado pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) sob a coordenação do amigo, escritor, poeta, etc., André Ricardo Aguiar (Divisão de Literatura). Segundo o organizador, e incansável anfitrião, “Agosto das Letras é uma referência de alcance eficaz com o autor local e com o diálogo da cena contemporânea”. Muito agradável, com autores interessantes e interessados, e o mundo da literatura nesse mix Paraíba x o resto do mundo.

Questões como a importância de se tratar o livro com um compromisso ético, e não como um produto similar ao sabão em pó. Alternativas de distribuição e caminhos para estimular a leitura também foram levantadas, lembrando que o principal é encorajar o gosto pela leitura e dar liberdade ao leitor. A relação com as novas tecnologias, dificuldades e oportunidades também estavam lá, junto às realidades instauradas em nosso tempo. Entre elas, a polêmica possibilidade do fim do livro em papel. Enfim, uma oportunidade de tirar a literatura da naftalina. Quanto a mim, confortável no papel de leitora (alguém tem que ler, não?), me pergunto: como ficam meus autógrafos nesse tal de e—book?



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

GARRINCHA

Aproveitando a ressaca da Copa do Mundo, engatei a leitura de “Estrela Solitária”, de Ruy Castro (Companhia das Letras, 1995, 520 páginas), um relato recheado de detalhes jornalísticos sobre a vida do extraordinário Manuel dos Santos, o ‘Mané’ Garrincha. Os detalhes cansam um pouco, mas fazem jus ao excelente trabalho de pesquisa do autor. E a convivência com outra realidade do nosso futebol também é muito interessante. Um tempo onde os atletas jogavam mais por amor à camisa e não apenas para cumprir contratos milionários. Uma visão romântica dessa profissão que na verdade foi a tragédia de Garrincha, aliada a uma infância pobre e a uma doença chamada alcoolismo (que ainda hoje a maioria das pessoas não consegue encarar como ‘doença’). O amor ao futebol, ao prazer de jogar, aliados à sua tão cantada ingenuidade foram as desgraças desse jogador. Se ele não fosse tão ingênuo e tivesse encarado sua profissão como profissão, talvez não tivesse acabado na miséria. Quem sabe também não teria perdido o grande amor da sua vida, Elza Soares, um exemplo de dedicação ao seu homem. Incrível as histórias de como o casal foi perseguido por uma falsa moral, que não aceitava essa relação, como se terceiros tivessem esse direito.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

EDITH PIAFF

Embalando numa fase musical, hoje ao som de Edith Piaff. Incrível a magia da voz dessa mulher, contagiante mesmo quando não se entende uma palavra.  Sua chanson trouxe um baita arrependimento por não ter continuado meus estudos de francês.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

ÉTICA?

Representantes dos planos de saúde no Brasil acreditam que interromper tratamento de doentes terminais pode ajudar a reduzir preços. Que me perdoem tais executivos, prefiro pagar esse custo. Este é um ponto de vista a se considerar, pelo viés da ética, da fé ou da caridade, quando a iniciativa visa reduzir sofrimentos. Mas não é, nem de longe, uma ferramenta de gestão empresarial. Chega a ser um desaforo, tal proposta. Falta de respeito. Creio que um paciente terminal deve ter o direito de escolher o momento em que deseja parar de sofrer, ou não. Mas a partir de hoje, tenho medo de planos de saúde!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O BEM AMADO

Cinema é sempre bom! Apesar de hoje, na maioria das vezes, termos que atravessar corredores e corredores de shopping para chegar a uma minúscula sala de cinema Multiplex, o esforço ainda vale a pena. Basta sentar e ser invadido pela magia daquela tela enorme, para ter certeza do motivo que te levou a abandonar o conforto e a praticidade de ficar em casa. Outro dia fui ver “O Bem Amado” (Comédia, 107 min., 2010, Brasil). Direção do pernambucano Guel Arraes leia-se “Lisbela e o Prisioneiro”, “Romance”, entre outros. O filme teve um orçamento de R$ 9,8 milhões.

Bela sátira política, totalmente dentro da nossa realidade (infelizmente!). Uma leitura moderna e bem acabada, mas que me deixou com uma saudade enorme dos tempos que via a série na TV. Saudade principalmente das atuações. Aliás, impossível não ficar comparando as performances, impecáveis, mas que não conseguiram apagar o brilho da turma original. Valeu o passeio e a companhia.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

POR UM FIO

Além de figurinha conhecida na programação do Fantástico, Rede Globo, o médico Drauzio Varella é também dono de um texto enxuto e agradável. Assim como em suas matérias para a televisão, ao escrever ele também parece ter o dom de simplificar questões complicadas. Esse é o tom de “Por um fio” (Companhia das Letras, 2004, 218 páginas), onde Drauzio reflete sobre o impacto da convivência com a dor e com a perspectiva da morte, através da observação do comportamento de pacientes e de seus familiares. Especialista em oncologia, sua narrativa passeia por 30 anos de convivência com o câncer, terminando com a emocionante história da doença do seu irmão, médico e seu companheiro de trabalho, também acometido com a doença que tanto combateu. Drauzio Varella convive de forma tranqüila entre suas várias performances, seja homem, cidadão, pai, irmão, escritor ou médico. Assim me parece.

Como informa a orelha do livro em “Por um fio” está de volta o narrador cuidadoso de “Estação Carandiru” (Companhia das Letras, 1999, 302 páginas), obra que também virou filme (2003) e que conta histórias reais, põe o leitor diante de questões delicadas e difíceis, mesmo para quem lida com elas em sua rotina profissional. O livro desmistifica a doença e, apesar de ter histórias tristes que em sua maioria terminan com a morte de seus personagens, não angustia o leitor.

Em determinado momento Drauzio Varella diz o seguinte, ao refletir sobre sua profissão: “custei a aceitar a constatação de que muitos de meus pacientes encontravam novos significados para a existência ao senti-la esvair-se, a ponto de adquirirem mais sabedoria e viverem mais felizes que antes, mas essa descoberta transformou minha vida pessoal: será que com esforço não consigo aprender a pensar e a agir como eles enquanto tenho saúde?”. Esta é uma pergunta que talvez, imagino, devesse ser feita por todos nós.





quinta-feira, 22 de julho de 2010

VIOLÊNCIA


Além de vir em busca do sol e da proximidade com a família, um dos motivos que me fez escolher João Pessoa como minha casa, foi fugir do agito e da violência de Sampa. Ledo engano! Já sofri mais com a violência por aqui do que em minhas aventuras nas terras paulistanas. Depois de um período aparentemente tranqüilo, a violência voltou a me encontrar em duas tentativas de assalto em menos de um mês. Acreditem, não sei exatamente porque, acabei reagindo ao dois e... como podem ver, ainda estou viva, graças a Deus. Loucura sei que é, mas quem manda na razão sob pressão? Como diria o Chapolim Colorado, e agora, quem poderá me ajudar?

terça-feira, 20 de julho de 2010

BARACK OBAMA


Com todos os conceitos formados pela mídia, parti para a leitura de “Barack Obama – A origem dos meus sonhos (Gente, 1995, 449 páginas)”. Desconfiadíssima, porque mesmo gostando de biografias e memórias, ou coisas do gênero, costumo ficar com o pé atrás diante de narrativas em primeira pessoa. Imagine então com um nome que é quase unanimidade. Advogado, 48 anos, 44º presidente dos Estados Unidos (o primeiro afro-americano), Democrata e ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Casado com Michelle, também advogada, pai de duas meninas, tem um cachorro chamado Bo.

A primeira coisa que este livro faz é desconstruir o mito, no bom sentido. Alguns parágrafos, e a imagem pública e midiatizada de Barack Hussein Obama, o fenômeno, é esquecida. Em seu lugar surge um personagem para lá de interessante. Ele revela detalhes de um menino com uma história de vida totalmente diferente da maioria negra americana, que se transforma na grande aposta de renovação política dos Estados Unidos. Nascido da miscigenação de raças e culturas, com uma mãe branca norte-americana (antropóloga), pai negro africano, economista nascido no Quênia, e padrasto asiático (Indonésia), ele se transforma em um líder unificador, alguém que consegue transpor a barreira racial. E este livro narra principalmente essa transmutação, como aquele garotinho ‘diferente’, nascido em Honolulu, se transforma em um potencial grande líder mundial. Descreve o fenômeno de fazer parte de dois mundos distintos, ao mesmo tempo não pertencendo a nenhum, o que ele chama de “meus múltiplos mundos”.

Particularmente acredito que a narrativa torna-se especialmente rica quando Obama decide retomar suas origens. Isso acontece após já ter se formado em Ciências Políticas e ter trocado bons empregos pelo trabalho comunitário, quase uma fixação para ele. Ao chegar ao Quênia, para uma visita aos seus familiares e antepassados, ele sente que pertence a algum lugar. “Dei-me conta de que isso nunca acontecera antes: nem no Havaí, nem na Indonésia, nem em Los Angeles, nem em Nova York, nem em Chicago. Pela primeira vez na vida eu sentia o conforto, a firmeza de identidade que um nome pode trazer, como ele pode carregar uma história nas lembranças de outras pessoas”, afirma Obama.

Nessa volta ele reconstrói seu conceito de família, envolvendo o leitor em suas descobertas. Passa mais de seis meses nessa convivência, que vai muito além da mera formalidade. Sua necessidade de pertencer vai sendo alimentada à medida que histórias são contadas e compartilhadas. Em alguns momentos a narrativa torna-se tão envolvente, que podem acontecer coisas estranhas, como por exemplo, levar um susto ao ouvir o celular tocando, bem no meio de uma narrativa que se passava no interior do Quênia, onde Obama visitava a avó paterna. Um choque de realidade. A avó conta muitas aventuras do seu pai, talvez a maior delas ter conseguido ser um dos raros casos a se formar no exterior, graças ao conselho de seu pai (avô de Obama), que dizia ser “o conhecimento a fonte de todo o poder do homem branco”. O Quênia foi colonizado pelos britânicos.

Barack Obama não é dogmático, planfetário ou sentimentalista. Ele parece um homem comum, que decidiu ter pleno domínio de sua história e de suas escolhas. Ás vezes quase ingênuo, outras vezes naturalmente inteligente e cativante. Coisas do destino, coincidência? Acabando a leitura, eis que surge à minha frente o DVD “Escolhido pelo Povo: A Eleição de Barack Obama”. Vamos lá, ação!






sexta-feira, 18 de junho de 2010

Vida...

Dia feliz, aniversário. Abraços. Lembranças. Carinhos. Pena a notícia neste dia 18, a morte de um dos meus escritores preferidos, Saramago.
É a vida...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

LIVROS, LIVROS, LIVROS















O prazer de comprar livros é quase tão grande quanto o de ler livros. Sinto-me consumista, capitalista, sei lá mais quantos ‘istas’, mas confesso. Adoro comprar livros. O problema é que eles vão acumulando, e começa o desespero de saber estar perdendo tantas histórias interessantes. Afinal, ultimamente a velocidade da compra não tem acompanhado o tempo para leitura. Com isso, cresce cada vez mais a lista de espera, que mistura Rubem Fonseca, Clarice Lispector, Sartre, Rousseau, Garcia Lorca e Snoopy (isso mesmo, adoro HQ), entre outros espalhados pela estante

sexta-feira, 23 de abril de 2010

CHICO XAVIER


Sempre que vejo filmes com roteiros adaptados de bons livros, fico com a sensação de quero mais. A narrativa impressa, de um bom texto, é sempre mais rica que o melhor dos filmes, penso eu. A subjetividade das intenções e dos personagens é infinitamente maior, no caso da boa e velha impressão. Esses dias fui ver o filme que conta a história do mestre Chico Xavier, e foi exatamente essa a sensação, de quero mais. Imagino que o filme devia vir acoplado à um bom documentário, contando um pouco mais de uma história de vida tão rica. A história do maior médium espírita do século XX continua no topo das bilheterias nacionais, firmando-se como o primeiro grande sucesso nacional do ano.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A MORTE

Depois de passar o feriado vendo muitos filmes, uma pausa na segunda para terminar o divertido livro de José Saramago, “As Intermitências da Morte”. Uma daquelas sacadas que a gente fica com inveja e pensa, queria ter nascido assim, com essa criatividade. Quem mais pensaria na senhora morte suspendendo suas atividades? Divertido do começo ao fim, a obra me lembra um texto de Simone de Beauvoir que li ainda na adolescência, “Todos os homens são mortais”, onde o personagem central, o conde Fosca (um personagem do século XIII) desafia o tempo e chega até os dias de hoje questionando tópicos inerentes à natureza humana, tais como a ambição, o poder, a imortalidade, o prazer, o destino e a transcendência. Um ensaio em forma de ficção que realça os absurdos da consciência. Também o que faz a escrita de Saramago, com uma pitada a mais de humor, é verdade.