domingo, 1 de maio de 2011

ARIANO-ESPETÁCULO


Ariano Suassuna, cumprimentando
sua platéia. (Foto: Helder Pinto)

O paraibano Ariano Vilar Suassuna, aos 84 anos, tem a mesma empolgação dos primeiros anos de trabalho. Quem já teve o prazer de se encantar com o discurso do escritor, não duvida. Foi o que constatou o (grande) público que compareceu à abertura do VII festival de arte e cultura do Sindicato dos Bancários da Paraíba (BANCARTE), dia 28, em João Pessoa (PB). O que transparece em Ariano não é só sua paixão pelo mundo das letras, mas pela vida e seus personagens. E ele mesmo é o seu melhor personagem. Engraçado, espirituoso, teimoso, inteligente, cativante. Sua fala reflete uma história de vida. Quando ele fala (ou se apresenta?) hipnotiza platéias. Extrapolando sua função de orador, transforma-se ele mesmo em um evento. Torna-se um “homem-espetáculo”, capaz de conquistar até mesmo seus opositores, com uma visão bem pessoal sobre a vida e a arte.
Chico César, na platéia
(Foto: Helder Pinto)

Até mesmo as historias repetidas provocam risos, a gente vê graça no contador, com sua estética divertida. Neste encontro, ele chegou reclamando de uma gripe, pedindo desculpas pela fala difícil. Bastou começar, e já parecia ótimo. Foi logo dizendo que apoiava o músico Chico César, também nosso secretário de Cultura do Estado, o primeiro da pasta. Apóia Chico em sua postura polêmica de selecionar apenas artistas ligados a cultura nordestina paraibana para a festa de São João. Como se estivesse em sua sala de visitas, falou sobre a eterna luta pela cultura popular. Afirmou que a atuação como escritor tem sentido didático. “Assumo o papel de dizer coisas que outras pessoas não dizem”, explica o escritor.
Arian Suassuna (Foto: Helder Pinto)

Lembrando que suas duas maiores paixões de infância, os livros e o circo, continuam muito acesas. Atualmente atuando também como secretário-chefe da Assessoria Especial do atual governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), ele criou o “Circo da Onça Malhada”. Um projeto que já percorreu cerca de 63 municípios. Ele, que já foi secretário de Cultura no primeiro mandato de Campos, disse não estar preocupado com essa coisa de título. “Só me orgulho do cargo de escritor Ariano Suassuna”, concluiu.

Mais fotos

Ariano, animado com a conversa no BANCARTE
(Foto: Helder Pinto)

Ariano, irreverente
(Foto: Helder Pinto)


Jornalista Ricardo Anísio recebendo a medalha Ariano Suassuna
(proposta pela Câmara Municipal de João Pessoa) das mãos do escritor.
(Foto: Lilla Ferreira)


sexta-feira, 29 de abril de 2011

CINEPORT EM JOÃO PESSOA

Foto: Divulgação
Definida a data da realização do 5º Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa (CINEPORT), que deverá acontecer de 26 de agosto a 04 de setembro, em João Pessoa (PB). O festival está dividido nas categorias Competição Andorinha de Curta Metragem, Competição Andorinha de Longa Metragem e Prêmio Energisa de Estímulo do Audiovisual Paraibano. O evento é uma realização da Fundação Cultural Ormeno Junqueira Botelho e pretende integrar o mercado cinematográfico dos países de língua portuguesa. A programação contempla seminários, painéis, debates, conferências, mostras e lançamentos de mídias.

Foto: Lilla Ferreira 
Usina Cultural Energisa
A última edição na cidade aconteceu em maio de 2009, e era de se esperar que esta edição (bienal) acontecesse em data similar. Ledo engano. Mais uma vez as mudanças políticas afetam, especialmente, a cultura e seus afazeres. O Fenart sequer terá sua edição este ano. Tantos outros eventos que aparecem, desaparecem, e só confundem os interessados. Desse jeito fica difícil formar público. No período do Cineport talvez não esteja na cidade. Em sua quarta edição, fui a todos os dias, por prazer e necessidade. Realizando a cobertura para o jornal A União, um trabalhozinho bem divertido.


Mais informações:
http://www.festivalcineport.com/2011/default.asp.



FOTOS - 4º edição - João Pessoa/PB - Usina Cultural Energisa
Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa

Com o mestre Linduarte Noronha
Grande público

As andorinhas
Com Emiliano Queiroz
Almoço promovido pelo Governador

Entrada da tenda de exibição

Longas filas

Bode-Arte
Uma diversão, bodes espalhados por todos os lados

Exibição de Nome Próprio, com Leandra Leal

Encerramento


quinta-feira, 28 de abril de 2011

QUINTA LEGAL

Fonte: noticias.digi.com.br
Quinta animada em João Pessoa. Ariano Suassuna no Bancarte, festival de arte e cultura do Sindicato dos Bancários da Paraíba, e início da nova temporada do projeto “Que tal quinta”, promovido pela Fundação Cultural de João pessoa, que tem a coordenação do escritor e amigo André Ricardo Aguiar.



Fonte: Divulgação
O Bancarte, que este ano faz uma justa homenagem ao escritor paraibano Ariano Suassuna, também traz na sua programação Geraldo Azevedo, Nando Cordel, Os nonatos, Santanna cantador, Os Três do Nordeste, e grupos folclóricos. Mas o Sindicato dos Bancários da Paraíba não esqueceu a categoria profissional que representa, e estará homenageando os bancários (como faz em todas as edições) José Francisco de Souza “Souzinha” (in-memoriam) e Pedro Fernandes. Além disso, o evento terá mais uma edição do Festival de Música dos Bancários, onde só podem concorrer profissionais do ramo, desde que sindicalizados, tanto como autores como na interpretação.
Serviço
VII BANCARTE
Quando: de 28 de abril a 1º de maio
Horário: 19h00
Onde: Sindicato dos Bancários da Paraíba
Endereço: Rua: Av. Beira Rio, 3100, Tambauzinho - João Pessoa – PB
Informações: (83) 3224-2054


Fonte: Divulgação
A nova temporada do projeto "Que tal quinta?" terá como foco os temas literatura e gênero. A atual edição traz como convidadas a autora paulista radicada no Ceará Nina Rizzi e a poetisa potiguar Marize Castro, com mediação do jornalista Tiago Germano. O projeto literário, de caráter aberto e lúdico, acontece sempre na última quinta-feira de cada mês, com a participação de dois ou mais convidados para um debate sobre um ou mais temas ligados à obra de cada autor. Também há espaço para performances poéticas, recitais, exibição de vídeo e lançamento de obras, com o objetivo de promover a interlocução entre autores e consumidores de obras literárias, estimulando a produção e descentralizando os bens e as expressões culturais da Capital.
Serviço
'QUE TAL, QUINTA?'
Quando: 28 de abril Quinta-feira
Horário: 18h00
Onde: Sala Funjope – 3º piso da sede da Funjope  - Rua Duque de Caxias, nº 352, Centro
Mais informações: 3218-9811 (André Aguiar)


domingo, 10 de abril de 2011

11 de março

"Tem dias que a gente se sente/Como quem partiu ou morreu/A gente estancou de repente.../A gente quer ter voz ativa/No nosso destino mandar/Mas eis que chega a roda viva/E carrega o destino prá lá ..." A letra da música do Chico Buarque pode até servir para explicar, a sensação de impotência diante do terremoto que assolou o Japão naquela sexta-feira. O imponderável.

Mas foi outra que me veio à cabeça, antes de ter certeza que minha amada família estava bem. Aquela do Legião Urbana, "é preciso amar as pessoas, como se não houvesse amanhã..." Quer saber? É realmete preciso amar e curtir as pessoas, todos os dias, todos os momentos. Mas o bem-estar de ter os seus bem, em segurança, nem de longe diminui a dor de ver tanto sofrimento, tantas perdas e famílias destruídas. O outro lado do mundo, para mim, sempre foi e será aqui do ladinho de casa, e do coração.  

segunda-feira, 7 de março de 2011

É CARNAVAL?

Fonte: Google

Tudo bem é Carnaval!  Mas o que fazer quando seu relógio biológico não bate com a data? Você no maior clima de não quero fazer nada, ou quem sabe ainda com saudades do Natal, e a folia batendo à porta. Confesso. Não sou nem nunca fui foliã. Talvez influenciada pela ausência de festas momescas nas ruas do Brooklin Novo, onde cresci em São Paulo. Mas desconfio que mesmo nascendo no frevo pernambucano ou no sambódromo carioca, mesmo assim não seria tão empolgada. Respeito a festa, sua alegria, a estética do colorido, mas se puder escolher, corro para longe. Mas voltando ao assunto, como lidar ano após ano com esse calendário programado para ligar e desligar datas, festas, ritmos? Agora é Páscoa. Agora é São João. Tão bom seria ter ritmo próprio.  O meu, nessa segunda-feira de folia, foi o texto de Marcelo Rubens Paiva, “Bala na Agulha” (ARX, 2003, 203 páginas). O primeiro livro do autor que li foi, claro, “Feliz Ano Velho”, na adolescência. Pouco depois, “Blecaute”. A este sempre me remetia quando andava pela Avenida Paulista. Uma pontinha de medo de que o mundo parasse, como no livro, e eu me visse só naquela imensidão de pedra. Algo recorrente? Talvez. Mas Bala na Agulha surpreendeu por prender minha atenção não muito voltada, normalmente, para romances policiais. Minha fase de Agatha Christie, Hercule Poirot ou mesmo George Simenon, ficou para trás. A narrativa prendeu do início ao fim, tanto que a leitura já acabou e deixou saudades.

domingo, 6 de março de 2011

LOBÃO


Foto:Helder Pinto

A década de 80 foi muito especial. Adolescência, leveza, sonhos, amigos, família feliz, tantas coisas. Uma musicalidade muito rica marcou essa época. Muito rock, muitas festas.  Esses dias, uma oportunidade de relembrar. A visita do músico, apresentador e agora escritor Lobão, lançando seu livro “50 Anos a Mil” (Nova Fronteira, 2010, 591 páginas) aqui na capital paraibana, trouxe lembranças e sentimentos que pareciam esquecidos. Vida louca, vida.... Bom. Agora, vamos à leitura dos relatos do irreverente Lobão, com a colaboração do jornalista Cláudio Tognolli, que a princípio me parecem bem corajosos. Gosto do gênero “esta é minha vida”.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

ATITUDE

Voltando ao futebol, que me dizem da atitude do Ronaldo Fenômeno, agora aposentado, de levar seu “novo” filho a tiracolo a todos os eventos e encontros midiáticos? Nem de longe lembra a atitude de Pelé, Rei de fato e de direito, que se recusou a assumir sua filha, mesmo depois de comprovação jurídica e DeNeAlística, como diria Odorico Paraguaçu.  Sandra Regina demorou quase três décadas para ser reconhecida como filha por Pelé. Ronaldo, apesar de resistir um pouco à notícia no início, dois meses depois do resultado do exame que comprovava sua paternidade, já estava de mãos dadas com o seu novo filho, Alex, de cinco anos. Ronaldo e Pelé, cada um em seu momento histórico, parecem ter em comum o talento para o futebol (arte), assim como o talento para gerir suas carreiras fora do gramado. Talvez as diferenças estejam apenas no que se refere à paternidade. Em alguns detalhes como carinho, responsabilidade e, porque não, ética.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

LITERATURA


Nos dias 06 e 07 de março, será realizado, em Campina Grande, o II Encontro de Literatura Contemporânea entre Escritores e Editores: a Trajetória dos Livros. O evento é composto por duas palestras e cinco mesas-redondas, além de dois momentos para lançamento e sorteio de livros. Realizado pelo Núcleo Literário Blecaute e pelo XX Encontro da Nova Consciência, o evento é aberto ao público, sem necessidade de inscrição prévia. O horário da programação, para os dois dias, é das 9h às 12h e das 14h às 18h. As atividades acontecerão no Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba, na Avenida Floriano Peixoto, 1461, Centro. Mais informações: (83) 8844-9131.
Fonte: Ministério da Cultura



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

JOGO

Hoje, nada de livros ou filmes. Rumo à outra paixão, também arte, o futebol. Meu “amado clube brasileiro” tricolor, o São Paulo Futebol Clube, joga hoje à noite com o Treze-PB - o Galo da Borborema - em Campina Grande, no estádio Amigão. Eu aqui tão pertinho, em João Pessoa, Capital, e tão longe. Não vou poder assistir ao vivo, me contento com a abençoada TV a cabo. Mas a camisa já foi lavada, passada, só esperando o momento de o time entrar em campo. Aí está o problema. Quando o time entrar em campo, serão duas paixões em jogo. Meu São Paulo, time que aprendi a amar ainda criança, nas ruas do Brooklin Paulista, em Sampa, ou no Morumbi, estádio do coração. Mas o que fazer agora, de volta à terra natal, como mais nova torcedora do Treze? Torcer pelo bom futebol, e que ganhe o que estiver mais inspirado nesta quarta-feira (16). Mas tenho que confessar, bem que eu gostaria de ver o Rogério Ceni, meu ídolo (depois do Zetti, Raí, Cafu, Telê Santana, e etc.), fazer o centésimo gol em terras paraibanas. Vamos ao jogo!

São Paulo e Treze se encontraram poucas vezes ao longo da história. Mas o suficiente para o tricolor paulista abrir vantagem. Em sete duelos, os são-paulinos venceram cinco e os paraibanos apenas duas. O ataque do São Paulo marcou 19 gols, enquanto a defesa sofreu quatro. O último confronto entre eles aconteceu em 2002. Na partida de volta da Copa do Brasil daquele ano, o Tricolor goleou o Treze por 4 a 1, no Morumbi. Na oportunidade, Kaká e Reinaldo, com dois gols cada, garantiram o triunfo. No jogo de ida, na Paraíba, vitória dos anfitriões por 1 a 0.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

VIÚVAS e etc.

É possível afirmar que a desigualdade dos gêneros é coisa do passado? Particularmente não gosto muito de bandeiras, não aquelas hasteadas com exagero oportunista ou recalques. Mas é impossível dizer que homens e mulheres são iguais em uma sociedade onde homens são melhores remunerados, onde mulheres são apedrejadas por ‘supostos’ adultérios ou garotinhas de oito anos são isoladas do mundo por serem ‘viúvas’. Homens e mulheres são cada vez mais iguais, graças a Deus, mas falta muito ainda para o jogo empatar. O filme “O Rio da Lua” (Water, 2005, Índia/Canadá, Drama/Romance, 117 min.), de Deepa Mehta, me chegou por acaso e sem intenção. E acabou surpreendendo pela delicadeza não panfletária do tema, e por sua doce e triste história. Que mostra nas entrelinhas os direitos da mulher na sociedade indiana que ainda hoje parece bastante influenciada pelo casamento tradicional, onde os noivos são escolhidos pelos familiares. Mostra a triste sina das viúvas na Índia do século passado, quando as idéias de Ghandi começam a mudar o rumo da tradição. O foco é a história da pequena Chuyia e sua amiga Kalyani que se prostitui para financiar o “lar” de viúvas e que ousa perturbar as regras, apaixonando-se por um homem com estudos universitários que está disposto a desafiar a tradição. Estas mulheres, além de remetidas ao esquecimento, não têm dinheiro para comer e vivem da caridade alheia. As mais novas usam a prostituição para pagar as despesas das mais idosas num jogo social que todos conhecem, mas querem ignorar.

E se o tema é social, este foi exatamente o próximo filme a que assisti. “Rede Social” (2010, EUA, Drama, 121 min.), na lista do Oscar 2011. Este não me impressionou. Bem resolvido, incomodou o jogo a qualquer preço dos interesses do universo do Facebook, que faço parte, confesso. Será esse o destino do indivíduo moderno? Seguindo a lista de indicações, mais um desconforto com “Cisne Negro” (2010, EUA, Suspense, 103 min.). Ótimo filme, que nos coloca em xeque com o maniqueísmo disfarçado de nossos mundinhos. Como sempre fujo de filmes de terror, senti certo desconforto com o mergulho no mundo negro da brilhante atriz-bailarina. Sensação que foi embora rapidinho com o “Discurso do Rei” (2010, Inglaterra, Drama, 18 min.), tradição e um pouco de humanidade onde menos se espera, na realeza.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

CRACK


Pela segunda vez esbarro no livro Crack – O caminho das Pedras (Ática, 1996, 246 páginas), mas só desta vez a leitura foi tranqüila. Outro momento, outra perspectiva. Até a realidade do crack é outra, muito, mas muito mais cruel do que a retratada pelo escritor e jornalista Marco Uchoa, que morreu de câncer em novembro de 2005, aos 36 anos. Quando o trabalho investigativo foi realizado para a confecção do livro, ninguém acreditava no poder dessa droga. Estado, polícia, família, e os próprios usuários, ainda desconheciam a proporção do mal que ela causaria. Uchoa foi visionário ao desnudar uma realidade que só ele e alguns poucos pareciam enxergar naquele momento. Ainda hoje, poucos livros se encontram sobre o tema. Descaso de governos e polícias, medo e vergonha das famílias, impotência dos dependentes diante do crack. Esses podem ser alguns dos fatores que contribuíram para adiar a real noção dos fatos. Foi ficando cada vez mais difícil ignorar o crack e seu poder devastador. Essa droga saiu dos guetos e chegou ao asfalto, aos prédios de luxo, aos doutores e pais de família. Ela não escolhe vítima.

A dependência é uma doença incurável, como a diabete ou hipertensão. Mas tem controle. Mais doloroso e sofrido, é verdade, mas tem. Amor, carinho, pulso forte, clínicas de recuperação, remédios, ou mesmo as reuniões dos Narcóticos Anônimos, podem ser alguns dos caminhos a trilhar no doloroso caminho da recuperação. Como afirma Marco Uchoa, “o maior problema é a dependência psicológica. Por isso, até que o usuário encontre seu ponto de equilíbrio, ocorrem muitas recaídas. O tratamento de um dependente é sempre uma trajetória penosa, onde os obstáculos começam na escolha do local para dar os primeiros passos em direção ao abandono das pedras”. O trabalho de Uchoa traça uma radiografia da droga que desembarcou primeiro na periferia de São Paulo, no final dos anos 80, e agora já é vendida em todos os cantos do País. O repórter colheu depoimentos contundentes de pessoas que se envolveram com a droga, tanto no tráfico como no vício. A obra mostra ainda a relação do crack com a violência, os efeitos da droga no organismo e como o entorpecente chegou ao Brasil. O livro ganhou o prêmio Jabuti, em 1997, como melhor livro-reportagem, e pode ser lido através do link. Marco-Antonio-Uchoa-Crack-o-Caminho-Das-Pedras

domingo, 16 de janeiro de 2011

CATIVEIRO

Impossível imaginar a possibilidade de ser arrancada de súbito de minha vida. Impossível imaginar a possibilidade de passar sete anos sem liberdade no meio da selva, sem o mínimo de condições de higiene, conforto, sem nada. Apenas existindo, à força. Em cada página do livro da franco-colombiana Ingrid Betancourt, “Não há silêncio que não termine” (Companhia das Letras, 2010, 553 páginas), a sensação de desconforto e de incredulidade. Parece incrível que alguns (nesse caso, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-FARC), em nome de pseudo-ideais, se julguem no direito de submeter um indivíduo a tais condições. Parece incrível que alguém consiga sobreviver a isso. Eu, por mais que imagine, não sei se o faria. Curioso a leitura deste livro se dar, exatamente, no período em que as mídias alardeiam os acontecimentos que destruíram parte de cidades da região serrana do Rio de Janeiro. Da mesma forma que no caso da Ingrid, não consigo imaginar-me sendo levada no meio da noite por uma avalanche, perdendo a vida, todos os meus pertences ou pessoas queridas. Tudo tão cruel. Mas cruel mesmo é saber que estas tragédias, o sequestro e os desmoronamentos podiam, quem sabe, não ter acontecido. Que diferença faz isso AGORA, se quem pagou o preço não fui eu, você, ou os responsáveis? Talvez faça alguma diferença SIM, para as gerações futuras. Talvez por isso valha à pena apontar o dedo e entregar os culpados.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

CORAL

O coral Universitário Gazzi de Sá, ligado a Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), continua com inscrições abertas para preencher seus quadros. As inscrições podem ser feitas, solicitando a ficha, através do e-mail maestro.eduardo@hotmail.com ou na Coordenação de Extensão – COEX ( Reitoria).
O grupo atua na UFPB desde a década de 60 e desde 2003 está sob a batuta do maestro e professor do Departamento de Educação Musical, Eduardo Nóbrega que implantou uma nova técnica de trabalho, onde os movimentos cênicos estão relacionados à melodia interpretada pelo grupo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

RACHEL DE QUEIROZ

A leitura, como sempre, atropelada. Uns livros invadindo o espaço dos outros. Só agora consegui terminar Biografia – Tantos Anos (Arx, 2004, 285 págnas), de Rachel de Queiroz (Fortaleza, 17 de novembro de 1910 — Rio de Janeiro, 4 de novembro de 2003), escrita em parceria com sua irmã Maria Luíza de Queiroz. Daqueles livros bons que a gente fica com uma saudade quando acaba. Da Rachel sempre gostei, mas confesso que desconhecia um pouco sua história. Conhecia mais a obra que a vida. Narrativa tranquila, quase no ritmo do balançar da rede na casa da fazenda da família, descrita pelas duas. Aqui e acolá uma pontinha de identificação com coisas do tipo laços de família, apego ao lugar de origem e principalmente aos seus entes queridos. Como diz Rachel, “famílias, a natureza as faz, mas a gente arruma ou organiza”. A aridez, muitas vezes encontradas na obra de Rachel, não passa nem perto de sua personalidade.


Meio teimosa, a escritora foi convencida pela irmã a contar um pouco de sua vida. Luiza fez uma verdadeira campanha, pois ela insistia em não querer. “Você sabe que eu não gosto de memórias. Nunca pretendi escrever memória nenhuma. É um gênero literário – e será literário mesmo? – onde o autor se coloca abertamente como personagem principal e, quer esteja falando bem de si, quer confessando maldades, está em verdade dando largas às pretensões do seu ego – grande figura humana ou grande vilão....O ponto mais discutível em memórias são as confissões, gênero que sempre abominei, pois há coisas na vida de cada um que não se contam”. Leitora voraz de quase todos os gêneros, tinha como hobby ler romances policiais e, imaginem só, biografias. Segundo sua irmã mais nova, Luiza, “em todas as casas onde Rachel morou, ou mora, no Rio ou no Sertão, as paredes que não abrigam quadros são cobertas por estantes de livros. Livros de toda espécie, nacionais, portugueses, franceses, ingleses, antigos e novos, livros dos amigos escritores, numa certa miscelânea, mas tem de tudo”.



sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Música


Acho que este será um ano musical. Entre outros, ando apaixonada por um cd de Zélia Duncan, “Pelo sabor do gesto” (Universal Music, 2009). Ele tem participações de Fernanda Takai, que adoro, e Chico César, nosso atual secretário de Cultura aqui na Paraíba. Aliás, o primeiríssimo secretário da pasta, uma vez que ela acaba de ser criada. E tem também a música de trabalho “Tudo sobre você”, uma graça. Boa música. Mas, pensando melhor, este ano será o que quiser. Que venha 2011.

Tudo sobre você

Zélia Duncan
Composição: John Ulhoa - Zélia Duncan

Queria descobrir
Em 24hs tudo que você adora
Tudo que te faz sorrir
E num fim de semana
Tudo que você mais ama
E no prazo de um mês
Tudo que você já fez
É tanta coisa que eu não sei
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você

E até saber de cor
No fim desse semestre
O que mais te apetece
O que te cai melhor
Enfim eu saberia
365 noites bastariam
Pra me explicar por que
Como isso foi acontecer
Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você


Por que em tão pouco tempo
Faz tanto tempo que eu te queria