sexta-feira, 18 de abril de 2014

BOB, UM BOM COMPANHEIRO

Foto: Lilla Ferreira
Dias nublados - daqueles que desafiam o sol que invade as janelas - combinam com livros fofinhos. Empréstimo de uma amiga querida. Passei bons momentos em companhia de “Um gato de rua chamado BOB – A história da amizade entre um homem e seu gato” (Novo Conceito, 2013, 236 páginas) e “O mundo pelos olhos de BOB – As Aventuras de James e seu gato” (Novo Conceito, 2014, 222 páginas), de James Bowen. O autor era um morador das ruas de Londres, lutando contra a dependência química de heroína, quando encontrou um gato (laranja) ferido, enrolado no cobertor de seu alojamento. Logo os dois tornaram-se inseparáveis, e essa convivência iria transformar suas vidas e curar, lentamente, as cicatrizes que cada um dos dois trazia de seus passados conturbados. Acho que posso entender o James, e também o Bob, pois nunca consegui viver sem um gato por perto. Aliás, nem lembro se já fiquei algum dia. As histórias deles se confundem com minhas memórias.

terça-feira, 25 de março de 2014

Leonardo ("Não aprendi dizer adeus")

 Fotos: Lilla Ferreira (Acervo pessoal)
Ainda na pauta do adeus. Com os pés no chão e lá para as bandas do Goiás, terra dos irmãos sertanejos Leandro & Leonardo. Esses dias li todas as revistas dos consultórios médicos por onde passei, a sede de leitura começa a voltar. Como todo hábito, o de ler também precisa de um empurrãozinho. Acabei numa leitura afetiva, o livro LEONARDO – Não Aprendi Dizer Adeus (Casa da Palavra, 2013, 239 páginas), depoimento a Silvio Essinger, um dos mais respeitados críticos de música do Brasil .Não é bem uma biografia, mas uma escrita tipo desabafo do cantor Leonardo, ao completar 50 anos de idade. A obra narra a trajetória da dupla, a dor da perda do irmão e companheiro de sucesso, assim como a aventura de se lançar em carreira solo.
Mais um pouquinho de minha coleção (amo vinil)
Narrativa que me levou aos tempos da Continental Discos Chantecler (Gravações Elétricas S/A), última grande gravadora nacional a se render ao capital estrangeiro, no começo da década de 90 do século passado. Saudades de uma época em que trabalhar foi também pura diversão. Um tempo lúdico. As duplas sertanejas começavam a decolar, rumo ao sucesso que as colocou e legitimou no cenário da música brasileira. Leonardo me fez voltar àquele prédio antigo da Avenida do Estado, cheio de histórias e de pessoas queridas. Algumas me acompanharam pela vida. As aventuras no Hotel Jandaia, as coletivas, festas no Limelight, viagens pelo interior, confraternizaçao no final de ano, com show exclusivo do casting para os funcionários. Pelo que vejo, esse estágio saudosista vai demorar um pouco mais do que imaginava.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Podemos dizer adeus mais de uma vez

Foto: Lilla Ferreira
Parece até castigo - só que não - ter pedido tanto um tempinho livre, para fazer coisas legais, passeios, leituras, filmes... E ter conseguido, finalmente. Mas o presente veio com bônus, aquela doença que a maioria das pessoas ainda tem medo de falar. Sim, já falei aqui antes, eu tenho câncer, e não um CA. Ou será que falando só o apelido a doença fica menor – só que não, de novo? Então, o tempo apareceu, e pelo que estou vendo, vai até sobrar. Torcer agora para a ansiedade diminuir, até porque é melhor para a saúde.

Logo depois do diagnóstico, como todo paciente modernonomundodainternet, desandei a pesquisar termos, diagnósticos, tratamentos, tudo que dissesse respeito à novidade. O lado personagem jornalista contribuiu bastante, e atormentei a paciência da minha médica. Nessa busca, encontrei vários blogs de pessoas que resolveram criá-los para falar sobre a sua forma de lidar com o problema. Aprendi bastante, mas prometi a mim mesma que não iria transformar esse meu espaço de ‘lazer’ em meu diário do tratamento. O juramento ainda está de pé, mas não tem como evitar alguma interferência, afinal de contas minha vida, neste momento, gira em torno desse planeta.
Lembrei-me do livro Anticâncer, de David Servan-Schreiber, o relato de um médico que lutou contra o câncer e inventou uma nova maneira de viver, que li há cerca de dois anos. Achei que seria a hora de conhecer o final da sua batalha no livro Podemos dizer adeus mais de uma vez (Fontanar, 2011, 137 páginas). Ele venceu a doença por quase 20 anos, e despediu-se com serenidade, mas não desistiu nunca, nem mesmo quando o seu lado racional dizia que era tarde. Mas o mais importante é que ele viveu enquanto estava vivo, e longe de ser redundância, essa atitude é sábia e difícil nesse contexto. Foi o David que me fez ter coragem de falar sobre minha doença no facebook. Ele optou pela franqueza, primeiro porque a doença se ‘manifesta’, mas também porque segundo ele um ditado americano diz que “quando há um elefante na sala, não devemos fingir que não o enxergamos, precisamos falar dele e chamá-lo pelo nome”.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

# ARQUIDIOCESE DA PARAÍBA #

Foto: Lilla Ferreira
Faz 100 anos que a Diocese da Paraíba foi elevada à Arquidiocese, e uma grande comemoração foi realizada neste sábado (22 de fevereiro), no adro da igreja de São Francisco, Centro de João Pessoa. Momento oportuno para ler o livro escrito pelo Monsenhor Ednaldo Araújo dos Santos (Organizador), Arquidiocese da Paraíba – História e Memória - 1914 / 2014 (Gráfica Moura Ramos, 2013, 214 páginas). Porque o momento é bem propício para as palavras santas.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Hoteru Airisu


 
E daí que as leituras estão atrasadas, os textos idem. Soltando o botão do pause, pego um daqueles de promoção. Hotel Íris (Leya, 2011, 205 páginas) de Yoko Ogawa me seduziu, claro, mais uma vez pela paixão por coisas do oriente. Mas quis mesmo foi descobrir por que uma jovem bela e delicada precisa tanto desse arrogante e perturbado amor. Talvez vá para a lista daqueles que não fazem muita diferença, mas quando se trata de livros acredito que eles sempre têm seus motivos. Desconfio até que tenham poderes mágicos.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Sim, eu tenho câncer, e daí?



Aos 10 ou 11 anos
Você percebe que seu mundo mudou, ou então foi abduzida para outro planeta. E que nada vai parar por causa disso, tipo brincando de estátua. O desejo é de que tudo pare, enquanto você melhora e segue a vida com todo mundo. Mas não é bem assim. No outro dia (ou no outro segundo) tudo estará como sempre foi. O ônibus atrasado, vizinho mal-humorado, o cafezinho gelado. O caixa do banco não te facilita a vida por causa disso, e as contas continuam chegando no seu endereço. É isso. Sua vida pega um atalho, enquanto o mundo segue em frente. Não posso falar por outras pessoas. Mas quanto a mim, talvez por não ter lido apenas Pollyanna (eu fui além e completei com Pollyanna Moça, vocês conhecem?), acredito que o atalho pode voltar a cruzar a tal estrada. 
 
Primeiro vem o susto, depois o medo. A revolta passa rápida. A angústia permanece, só muda o grau. Quando você se dá conta de que é verdade, essas coisas não acontecem apenas nos filmes ou na casa ao lado, tudo fica claro. É hora de correr atrás do prejuízo e ver o que se pode fazer. Desde o primeiro exame pude ler nos olhos da moça que me pediu para voltar e ‘complementar’ o exame, mesmo eu já estando de saída. Pude entender a presteza da médica ao lançar do celular ligando para o colega, dono da clínica, solicitando um exame com urgência. Foram dias de espera pelo resultado oficial, mas eu já sabia. Engraçado que algumas pessoas diziam “tenha fé”, como se ser racional e enxergar o problema de frente fosse uma fraqueza. Esse é o meu jeito de lidar com as dificuldades, de frente. Não vou me espantar se isso mudar, porque a 'coisa’ é perigosa. Não sei do futuro, apenas acredito que vou estar lá. Mas também sei que posso me permitir ser frágil vez por outra.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

CORAGEM, CORAGEM, CORAGEM


Palavras são mágicas. Mas pela primeira vez na vida não as tinha. Quase um grilo falante, rato de biblioteca, do tipo que se distrai até com bula de remédio, de uma hora para outra a graça pelas palavras apagou. Primeiro no susto. Depois na compreensão. E por último no medo. Sim, é natural ter medo do perigo. Instinto. As leituras foram ficando arrastadas, os livros compridos. Mas a delicadeza de uma amiga querida fez milagre, com um mimo que chegou em forma de mensagem. Coragem. É disso que preciso, porque o gosto pela vida e as ferramentas para lutar acho que tenho. De outra forma não teria chegado até aqui, já que foram tantos tropeços pela vida. Que venham os livros, revistas, anúncios, bilhetes.... o futuro me espera. Que os anjos me protejam.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Presente de Natal, ebaaaaaaaaaa

Foto: Lilla Ferreira
Claro que Natal não é só presente, acho até chata essa conversa e blá, blá, blá. Sou católica desde sempre, e em casa sempre comemoramos o aniversáro de Cristo. Mas também temos a tradição dos presentes. Ah! Os presentes, ainda lembro quando criança fazendo pequenos furos com alfinetes na tentativa de 'olhar' e descobrir os mistérios dos pacotes. Ou então apertando-os várias vezes, quase estragando tudo. Se me derem só uma embalagem ou uma caixa vazia, de tão boba, já fico feliz. Amo tudo. E os livros, esses são os preferidos. Dia 25 já virou tradição, comendo todas as sobras das guloseimas, jiboiando e lendo o livro novo (presente do meu amor).

domingo, 24 de novembro de 2013

Paraíba, algumas histórias

José Carlos Barreto (Foto: Helder Pinto)
Bom voltar aqui, melhor ainda com novo livro e uma noite de lançamento, não importando necessariamente qual. A atmosfera desse tipo de evento é sempre boa. E o Sebo Cultural de João Pessoa é lugar que respira essa atmosfera, afinal um lugar cheinho de livros não podia ser diferente. Na última sexta-feira (22) fui parar lá meio por acaso, lançamento quase familiar de um autor que me era desconhecido, o paraibano José Carlos Barreto. Mais uma história de alguém que foi embora para acabar voltando, com uma vontade danada de conhecer suas origens. Veio daí a ideia de escrever o livro Paraíba, algumas histórias.
 
Foto: Lilla Ferreira
O seu olhar sobre a história da Paraíba, ou sobre o próprio conceito de história, é totalmente desprovido daquela ufania colonizadora. Ele está mais para o discurso do oprimido. Seja na narrativa sobre índios, escravos, mulheres ou cangaceiros.  A julgar pelo papo agradável durante o lançamento, adoraria saber mais sobre a história de seu avô Januário Barreto, filho de Catolé do Rocha, proprietário do saudoso Jornal O Norte. Ele conta rapidamente que em 1930, por ter seu avô assumido posição contrária a João Pessoa, o jornal teve sua sede arrombada, saqueada e todas as suas instalações e máquinas destruídas, sendo em seguida incendiado.

domingo, 13 de outubro de 2013

Pausa para leitura

O tempo anda voando, a cabeça nem tanto assim. O jeito é ir resolvendo as urgências da vida e arrumando um tempinho para a leitura. É como respirar.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O Grande Gatsby

Meu exemplar, bem marcado depois de tantas leituras  (Edição do Círculo do Livro)
Um daqueles filmes que de tanto ler e ouvir falar sobre, a gente vai perdendo um pouco a vontade de assistir. Não sei como isso começou, mas tenho estado assim em relação a todos os filmes badalados, e o pior é que não resisto, acabo lendo tudo a respeito. A conclusão é que estou sempre fora de moda, vendo os filmes ‘fora de época’. Mas de tão apaixonada que sempre fui pelo livro, que li pela primeira vez há exatos 20 anos, não resisti. É certo que o livro estava o tempo todo na tela, muitas vezes textualmente nos diálogos, exceto o último capítulo que foi praticamente ignorado. Não sei se foi a 'leitura' moderna da montagem, o tom misturado de ficção futurista, mas alguma coisa bloqueou a possível transferência do sentimento de paixão para o filme. O certo é que logo depois do the end da nova versão de O Grande Gatsby (The Great Gatsby, Drama, EUA, 2011, 142 min.) corri para pegar meu velho e gasto exemplar, uma das obras mais conhecidas da literatura norte-americana, escrita por F. Scott Fitzgerald. Leitura rápida, um só gole.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

HIV, positivo

Final da década de 80, comemorando aniversário ao lado do amigo Daniel
Anos 80, uma época feliz, feliz, rica em originalidade e criatividade. Mas que também foi muito cruel para aqueles que conheceram em primeira mão o mal do fim do século XX. A AIDS pegou muita gente de surpresa, entre elas um amigo querido. Alguém que morreu jovem, como morreram muitos daqueles que não tiveram o privilégio e a saúde para esperar coquetéis e avanços da medicina. Mas que também não tinha discurso dramático nem dava bola para o preconceito. Ele foi vítima de seu excesso de juventude.

Assim como nos conta Lucinha Araújo sobre seu filho, em depoimento a Christina Moreira da Costa, no livro O tempo não para – Viva Cazuza (Editora Globo, 2011, 250 páginas). Ela fala de sua luta contra a doença e de como sobreviveu a perda, com a ajuda do trabalho na Sociedade Viva Cazuza. Poeta talentoso, Cazuza nunca pretendeu ser exemplo para sua geração, queria apenas viver sua vida e pagou um preço alto. Mas viveu, e ainda me espanta o preconceito quando ele se coloca como inquisidor do grande, breve e intenso artista que ele foi. Encontrei esse trecho da narrativa de sua mãe que me confortou:
"Quando pequeno, Cazuza dizia que ia ser arquiteto, ou que faria faculdade de geografia, mas acabou escrevendo uma bela história. Certa vez, recebi o e-mail de uma psicóloga que, depois de assistir ao filme Cazuza, o tempo não para, ficou impressionada com o culto à personalidade do meu filho, que considerava nociva à sociedade. 


Penso sobre o conceito que essa psicóloga faz dos artistas. E me pergunto se ela acha que quem vive uma vida normalzinha como a minha e provavelmente a dela, vai deixar alguma marca no mundo. Será que ela nunca ouviu dizer que o artista é a antena da espécie? Será que nada sabe sobre a história de Hemingway, Van Gogh, Kafka, Dalí, Mozart ou Pollock? Teria ouvido falar das experiências de Freud com a cocaína?
A vida de Cazuza dá mais que um livro e um filme. As pessoas que assistiram ao filme e leram o livro não passaram a seguir seus passos. Depois de certa idade, nós mesmos somos responsáveis pelos caminhos que traçamos. Acho muito engraçado aquele tipo de mãe que põe a culpa de tudo no que chama de más companhias, como se os filhos não tivessem a liberdade de escolher. Sempre é mais fácil pôr a culpa no outro. Difícil é compreender as diferenças e se dispor a conviver com elas".

Os tempos mudaram, as cabeças nem tanto, mas infelizmente a AIDS ainda faz suas vítimas, e hoje completa exatamente um ano que perdi outra pessoa querida por causa dela.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Crônicas da Danuza

Foto: Lilla Ferreira (com coleção de crônicas, acervo pessoal, 1995)
Saudades de um tempo que esperava ansiosamente o meu 'estadão' com a crônica da Danuza Leão. Aliás, a cada dia o jornal oferecia uma diversão diferente, sem contar o quadrinho diário do Calvin e a seriedade das informações, é claro. Acho que já li todos os seus livros, de tanto que gosto do jeito bem humorado, chique e nada politicamente correto de escrever. Mas confesso que ao ler Danuza sem juízo & sua visão de mundo (Nova Fronteira, 2012, 376 páginas), organização Sonia Biondo, achei o tom de suas crônicas um tanto repetitivo. Talvez a idéia de separar em blocos (Recordar é viver - Amores, desamores – O ser humano – Essas mulheres – Para eles – Tudo em família) tenha feito com que os temas ficassem cansativos. A sensação só passa quando se chega ao capítulo final, De tudo um pouco, onde os assuntos se misturam e a diversão é garantida.  

domingo, 22 de setembro de 2013

Exposição de Furoshiki

Voltando do VIII Festival do Japão na Paraíba, melhor a cada edição. O festival acaba hoje, mas vale à pena dar uma passada na Usina Cultural Energisa até o dia 10 de outubro para conferir a exposição Furoshiki - Eco-bag tradicional do Japão. As peças da exposição são originárias de dois acervos: Furoshikis da Fundação Japão em São Paulo, com 12 peças criadas pelos estudantes universitários de design, comemorativos ao Ano de Intercâmbio entre o Japão e os diversos países, incluindo quatro peças criadas por brasileiros, e peças variadas, do acervo do Consulado do Japão de Recife e de uma colecionadora particular de estampas e figuras tradicionais.
 
De terça a domingo, das 14h Às 20h, com entrada gratuita.