segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

NIHONJIN (Conflitos culturais, sonhos e muitas histórias)

 



Nihonjin é o mesmo que japonês. E também o título desse discreto romance que acaba de ganhar o prêmio Jabuti (2012). Logo depois de ver um comentário nas redes sociais sobre o livro. Logo depois do anúncio do prêmio. Eis que a obra chega às minhas mãos. Imagino que a leitura seria outra, antes da temporada no Nihon (Japão). Depois de ouvir o silêncio daquelas ruazinhas estreitas e mergulhar naqueles cenários, quase consigo entender os mistérios dessa narrativa leve e triste. Existe um oceano muito mais profundo entre Ocidente e Oriente.
 
Oscar Nakasato é paranaense, neto de imigrantes japoneses. Mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e doutor em Literatura Brasileira. Ou seja, o autor de Nihonjin (Benvirá, 2011, 175 páginas) é realmente um mestre com as palavras. Sua delicada reconstrução histórica da imigração japonesa mostra a origem multicultural do Brasil em tempos e lugares ainda pouco explorados na literatura brasileira.

domingo, 27 de janeiro de 2013

NOTA

A vida como ela teima em ser....


Quem disse que aquela conversa de que o mundo ia acabar era bobagem? Ele acaba todos os dias. Na ausência de pessoas queridas. Naqueles que vão embora como um susto. Nos sonhos interrompidos. Viagens sem tempo de despedida. Difícil é lidar com o ciclo. O mundo acaba. O mundo começa. É a vida. E dias tristes como este me deixam culpada. Estar bem enquanto tanta gente esbarra na dor é quase um pecado.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

OS NÚMEROS DA LEITURA

Um panorama dos negócios e dos hábitos de compra de livros no Brasil

4 livros
foi a média lida por pessoa em 2011

88,2% milhões
de brasileiros são leitores

58.192 títulos
foram publicados em 2011 - 20.405 deles eram lançamentos e 5,26% foi quanto o faturamento do setor cresceu no ano passado

3.481 livrarias
estão em operação no Brasil

24% das livrarias
oferecem livros digitais

57,6% das livrarias
fazem vendas pela internet

Fonte: "Retratos da Leitura no Brasil" (Feita pelo Ibope em 2011 com 5.012 pessoas), "Levantamento Anual do Segmento de Livrarias" (Realizado pela Associação Nacional de Livrarias em 2012), e "Produção e Vendas do Setor Editorial", da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (2011)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

MÚSICA

Escola de Música Anthenor Navarro abre inscrições para primeiro semestre de 2013

 

A Escola de Música Anthenor Navarro (Eman) abre prazo de matrícula para alunos novatos nesta segunda,14 de janeiro. Os interessados em ingressar no primeiro semestre de 2013 terão até o dia 18 para garantir a vaga. Para se matricular, é preciso comparecer à escola no horário das 8h às 11h. O prazo para alunos antigos que queiram continuar os estudos é de 7 a 11 de janeiro, no mesmo horário. O atendimento é feito por ordem de chegada e a taxa semestral custa R$ 100 por curso. 

Ao ingressar no curso, os alunos novatos passarão pela fase de iniciação musical onde aprenderão a identificar as notas e leitura de partituras. A partir daí, passarão ao contato com os instrumentos, o que só acontecerá nos semestres seguintes.

A princípio, são oferecidas as disciplinas de harmonia, apreciação musical e história da música, com aulas práticas e teóricas. A duração do curso é de seis anos. Para se matricular em mais de uma modalidade ou instrumento, o aluno terá que pagar outra taxa semestral.


Serviço:  
Matrículas para o semestre 2013.1 da Escola de Música Anthenor Navarro
Alunos antigos: 7 a 11 de janeiro, das 8h às 11h
Alunos novatos: 14 a 18 de janeiro, das 8h às 11h
Documentos necessários: CPF, identidade, duas fotos 3×4
Contato: (83) 3221-6295
Onde fica: Espaço Cultural José Lins do Rego, em Tambauzinho, João Pessoa/PB.
Como chegar: Rampa 3, próximo ao Teatro Paulo Pontes

Saiba mais em: http://www.paraiba.pb.gov.br.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

CARCEREIROS



Dia do leitor. Um bom dia para falar sobre a primeira leitura do ano. Não tem jeito, se perguntarem acabo escolhendo livros como minha opção para presente de Natal, e a cena se repete. Carcereiros, de Dráuzio Varella (Companhia das Letras, 2012, 226 páginas) trouxe à cena a garotinha que por volta dos oito anos de idade costumava fazer amizade com a turma da delegacia da pequena cidade do interior. Veio daí a sensação de desconforto diante de qualquer pessoa que perca sua liberdade. Tudo bem cometeu crime tem que pagar, sei disso. Mas sempre fico desconfortável diante do fato. Claro que mais ainda quando ouço o Ministro da Justiça dizer que prefere morrer a ir para a cadeia (no Brasil, especialmente). O médico Dráuzio Varella passou mais de vinte anos trabalhando no sistema penitenciário. De sua experiência, a sabedoria de estabelecer relação entre a vida de médicos, detentos e carcereiros. A relação da dimensão humana. 

Concordo com o autor quando diz: “Reduzir a população carcerária é imperativo urgente. Não cabe discutir se somos a favor ou contra: não existe alternativa. Empilhar homens em espaços cada vez mais exíguos não é mera questão de direitos humanos, é um perigo que ameaça a todos nós. Um dia eles voltarão para as ruas”.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

2013

ANO DA SERPENTE
Ilustração: Aline Diniz Yamada




Considerada um símbolo de boa sorte na China, ano regido pelo signo da Serpente trará amor e sabedoria, mas pede calma, reflexão e planejamento.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

FAMÍLIA & NATAL

O verdadeiro espírito do Natal!
Ouvi dizer algumas vezes que os anos foram difíceis, que o Natal estava 'magro', ou até mesmo sobre as dificuldades do Papai Noel. Mas nada disso faz parte de minha memória afetiva. Ficaram as boas lembranças, os afetos, os sorrisos, as missas e seus incensos. Natal para mim é sempre sinônimo de alegria. E de família.
Aline e Juliano
As figurinhas que sempre enfeitaram nosso Natal!

 
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

COISAS DA VIDA


O que chegou em casa por esses dias!
Presentes da amiga Michelle Veronese

Como tudo isso começou!
Na praça, interior da Paraíba
(espero que  o espírito natalino a faça me perdoar pela
indiscrição de publicar esta foto...não resisti!)
Era uma vez o destino. Férias em família, fugindo da vida agitada em Sampa, meu eterno lugar de referência. Bandeirinhas de São João tremulando no salão. Nada planejado, mas foi ali que fui picada pelo bichinho 'vontade de voltar'. E voltei. Hoje, a amiga querida (de tão pouca convivência, infelizmente) reconhecida nesses dias, habita minhas terras. Eu as dela. Era uma vez o acaso, sempre a vida fazendo o que bem entende.



domingo, 16 de dezembro de 2012

CÓPIA FIEL

Beleza, originalidade, verdade. Mitos. O filme Cópia Fiel (Copie Conforme, 2010) encanta pela temática, mas especialmente pela vulnerabilidade de Juliette Binoche, atriz que adoro e admiro. Às vezes cofuso, ou não; meio cansativo, ou não. Para quem gosta de diálogos e de tempos mais lentos, uma delícia. Como boa geminiana, característica que desconfio ter pouca ligação com a astrologia e mais com um karma, saí especialmente impressionada com uma frase. Daquelas que permitem sentir-me quase normal em um mundo de mil teorias, personalidades, vontades. Um alívio.

“Receio não ter nada de simples em ser simples”

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

DICA DE VIAGEM

Quem seria insensato a ponto de morrer sem ter ao menos feito a volta de sua prisão? (A obra em negro - Marguerite Yourcenar)

Coloquem na bolsa as narrativas da escritora Marguerite Yourcenar, A Volta da Prisão (Nova Fronteira, 1991, 138 páginas). Acompanhem em sua leitura as peregrinações da autora pelo Canadá, Alasca, Havaí, e especialmente o Japão (o grifo aqui é da autora, porque eu sou suspeita). As viagens acontecem entre os anos de 1979 e 1987, e o olhar minucioso de alguém que é capaz de se mover através das palavras torna tudo mais gostoso. Um momento ou outro meio cansativo, mas nada que tire o prazer da caminhada. Trata-se de um aprendizado de antiturismo. Ela ensina a deter-se diante dos detalhes e critica a chamada viagem organizada de nossos dias que protege contra o que o jargão contemporâneo chama de ‘os choques culturais’. Lembrando que presos a roteiros acabamos escapando às novidades.

 
Marguerite Yourcenar
 
“O turismo dessora o mundo; o turista pouco instruído que percorreu em oito dias cinco capitais da Europa guarda apenas a lembrança confusa de uma espécie de documentário que teria podido ver igualmente bem no cinema do seu bairro

terça-feira, 27 de novembro de 2012

INFANTIL (a arte de ensinar o gosto pela leitura)

www.itau.com.br/itaucrianca

Em tempos de tecnologia avançada, continuo encantada com o carteiro. Desta vez ele me trouxe a Coleção Itaú de Livros Infantis. O objetivo da instituição é estimular o hábito da leitura nas crianças, e para isso espera contar com a boa vontade dos adultos, que ao receberem o material devem ler para seus pequenos. Segundo o projeto, o adulto que compartilha uma leitura com uma criança está resguardando o direito dela à educação, à cultura e também ao lazer. Me chamou atenção a observação para ler a história, ao invés de contá-la. Essa é uma tentação de certos adultos, que pensam estar “facilitando” a história, e pecam por subestimar a capacidade da turminha. Tirando delas também a oportunidade de conhecer novas palavras e estimular a curiosidade e o vocabulário. Lendo é que se aprende a ler. Aproveito para confessar, minha criança interior (que teima em não crescer, pelo menos nessas horas) adorou e devorou os livrinhos. Adoro literatura infantil, e dificilmente resisto a uma boa aventura.
 
Morrendo de rir com o morango disfarçado!
Ilustração Don Wood
 
Apaixonada pelo gatinho preto!
Ilustração Flávio Fargas
 

sábado, 24 de novembro de 2012

YAKUZA (surpreendentes revelações da filha de um gângster)

 
Dizem que as águas correm para os rios, e estes para o mar. Tal qual minhas leituras. De alguma maneira misteriosa, cada época é marcada por um tema. Uma coisa meio de fase. Juro que sem intenção, não procuro. Simplesmente os olhos correm em direção a determinados rios. Foi assim com o livro “A Lua de Yakuza”, de Shoko Tendo (Editora Escala, 2010, 246 páginas). Não tinha nenhuma referência, sequer sabia que ele estava em quase todas as bancas de jornal. Fui encontrá-lo em Campina Grande (PB), por acaso. Aliás, fui parar lá também meio por acaso. Como já confessei, não resisto aos ares do oriente. Memórias devastadoras, um texto chocante e comovente.
 
Curioso alguém, uma mulher, falar tão abertamente sobre um assunto quase proibido. Nascida em família de um rico chefe da yakuza, Shoko Tendo cresceu cercada de luxo. Mas o rótulo de “a garota yakuza” fez dela vítima de assédio moral e discriminação por parte de professores e colegas na escola. O pai começa a se endividar, torna-se bêbado e raivoso. Na adolescência Shoko já faz parte de gangues e conhece o mundo das drogas. Após passar por uma série de relacionamentos abusivos e violentos e a morte dos pais, resolve dar uma guinada em sua vida, e consegue.
Um detalhe, ela saiu do universo da temida máfia japonesa, e começou esse processo exatamente com algo contraditório, tatuando todo o corpo. Ao sair, deixou um registro. Talvez para não esquecer nunca mais para onde não deveria voltar.  Tomando posse de sua vida e de seu corpo. Não sei se um grande livro, mas uma boa história. E também uma oportunidade para entender que todos temos um Lado B, os países também.


 
 

domingo, 18 de novembro de 2012

CORAÇÃO EM CINZAS

Acabo de descobrir uma nova fonte de aventuras. Uma biblioteca que me envia livros pelos correios. O difícil, como sempre foi, é devolver um exemplar querido. É como perder um grande amigo. Coração em cinzas – Memórias de uma filha chinesa rejeitada, de Adeline Yen Mah (Landscape, 2007, 278 páginas) foi paixão à primeira vista. Por motivos óbvios, tenho uma natural simpatia por tudo que se refira aos ares asiáticos. Se a história possuir também uma dose de realidade e um bom personagem feminino, pronto, já me fisgou. Devorei o relato autobiográfico da médica chinesa Adeline Yen, nascida em 1937, ao norte de Xangai, em busca das mais básicas necessidades humanas: aceitação, amor e compreensão.
 
A cruel realidade de sua vida junto a uma família problemática, na qual o preconceito dos irmãos e a indiferença do pai eram terrivelmente agravados pelos incompreensíveis maus tratos impetrados por sua madrasta, cruel e manipuladora. Uma sensação de impotência, diante de uma sociedade que pode ser tirana, covarde e desumana. Uma mostra de que a realidade pode ser muito, mas muito mais cruel que a ficção. Hoje, Adeline é casada, vive na Califórnia com seus dois filhos e é muito feliz.